| |
03/05/2007
Empresa cria leitor óptico mais barato
Para ser utilizado, o aparelho só precisa de uma ligação
elétrica, evitando obras e facilitando o manuseio nas lojas.
Tecnologia, planejamento e oportunidade. Aproveitando um projeto
no qual trabalham há anos, dois sócios de uma empresa
de Bauru desenvolveram, em poucos meses, uma solução
que alia baixo custo à tecnologia de ponta para os estabelecimentos
comerciais se adequarem à “lei do leitor de preço”.
Em vigor desde o final do ano passado, a determinação
federal prevê que nos supermercados e grandes magazines que
já utilizam os leitores óticos de código de
barras em substituição às etiquetas unitárias,
os aparelhos sejam distribuídos dentro dos estabelecimentos
com distância máxima de 15 metros.
Ao tomar conhecimento da exigência do governo, Filogênio
Vilas Boas Neto e Rogério Adriano de Moraes, proprietários
da Ótium2 Tecnologia - empreendimento que opera dentro da
Incubadora de Empresas de Tecnologia da Universidade Estadual Paulista
(Unesp) - tiveram a idéia de utilizar o princípio
do produto que motivou a abertura da empresa, um palmtop, para criar
uma solução que atendesse a demanda criada pela lei
federal.
Com isso, em menos de três meses foi criado o Quot, um leitor
ótico sem fio, mais simples e mais barato que o disponível
no mercado. “Hoje, o equivalente usa cabos, conduítes,
precisa furar a parede (para instalar). O Quot só precisa
de uma ligação elétrica. E as gôndolas
de supermercados, por exemplo, já possuem essa ligação”,
explica Rogério.
Como o software empregado já tinha sido desenvolvido para
o Nabox, o palmtop criado pela empresa, os sócios adequaram
a tecnologia para um dispositivo mais simples. “Além
disso, ele é de fácil produção. Apenas
duas pessoas podem produzir 500 unidades por mês, o que representa
uma capacidade de atender 160 clientes mensais”, calcula Rogério.
Ele acredita que cada Quot deve chegar ao mercado custando R$ 850,00.
Bem abaixo dos R$ 1,2 mil dos produtos disponíveis no mercado.
Isso sem somar todo o investimento para a implementação
dos dispositivos com fio, como mão de obra e instalação
de conduítes, aquisição e implantação
dos programas de controle de produtos.
Como o Quot é sem fio, pode ser colocado onde o comerciante
deseja. Para os criadores do leitor, essa é uma grande vantagem
para os empresários, já que poderão verificar
como é a procura de um produto em determinado local do estabelecimento.
“Além disso, não precisa de um programa específico.
É só você ter uma lista do que é vendido
na loja ou no supermercado no computador servidor. E cada leitor
se comunica com o outro, em cadeia”, explica Neto. A expectativa
da empresa é colocar o Quot à venda em um mês.
Aprovado
Para divulgar o leitor sem fio, a empresa entrou em contato com
a Associação Paulista de Supermercados (Apas). De
acordo com o diretor regional da entidade em Bauru, José
Flávio Fernandes, o Quot será apresentado ainda hoje
para o vice-presidente de tecnologia da Apas, em Sertãozinho.
Ele, que testou o aparelho em seu supermercado, afirma que o objetivo
é divulgar o novo dispositivo, estimular a produção
do produto em Bauru e também conseguir uma parceria com a
empresa para aquisição do leitor com um preço
ainda mais atrativo.
Para Fernandes, o Quot atendeu as expectativas. “Eu já
tinha encomendado os leitores, mas a entrega estava demorando, quando
fui informado do dispositivo criado aqui em Bauru. Estou testando
na loja e está dando muito certo. Não precisa furar
a parede, é simples e, se não estiver legal num local,
é só mudar”.
Nabox
Tanto Neto quanto Rogério destacam a importância da
Incubadora de Empresas da Unesp na elaboração do projeto.
De acordo com os sócios, antes mesmo de iniciarem a criação
do leitor ótico de código de barras, ele desenvolveram
o plano de negócios. “Com o palmtop, éramos
mais inexperientes. Não fizemos um planejamento tão
detalhado quanto o do Quot”, conta Neto.
O palmtop Nabox também deverá ser lançado
em breve pela empresa. O serviço, que alia o palmtop ao programa
Drinx, criado pelos sócios, busca otimizar o gerenciamento
em bares e restaurantes, simplificando a comunicação
eletrônica desde os pedidos até a conta.
Lígia Ligabue
fonte: http://www.jcnet.com.br/busca/busca_detalhe2007.php?codigo=103326 |
|